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llenguesvives | joão aveledo (G-P) | dilluns, 3 de gener de 2011 | 16:47h

Eeeeei!!!? Uma expressão de incredulidade acompanhará a maioria dos que leiam isto e muitos se perguntarão se estamos no 1º de abril“quando os burros vão onde não têm que ir”, o tradicional Dia dos Enganos (versão galega do espanhol 28º de dezembro). Prometedor 2011? Mas como é possível, se o galego (ou português da Galiza) continua a perder falantes de forma acelerada, se está a quebrar a sua transmissão intergeracional, se a sua qualidade, consequência da hibridação com o castelhano, diminui até fazê-la irreconhecível (provavelmente, um falante espontâneo médio da Galiza franquista teria menos dificuldades de intercompreensão com um outro lusófono do que um falante “consciente” médio da Galiza autonómica), se o ensino e os meios de comunicação continuam o seu eficaz lavor nacionalizador (espanhol, claro!), se conta com a hostilidade manifesta (quase explícita) dos governos autonómicos galego, asturiano e castelhano-leonês, se está a ser dividida artificialmente polas fronteiras administrativas do Minho e do Eu, se...


Mas leiam bem! O título não diz “para a língua na Galiza”, senão “para a língua da Galiza”. Ninguém duvida da sua agónica situação no seu berço norte, no entanto, globalmente, continua a ganhar falantes, quer no Brasil (a potência emergente do Hemisfério Sul), quer nos cinco países africanos de língua oficial portuguesa, onde o nosso idioma se torna colonizador e prossegue a sua expansão à custa das línguas próprias desses territórios. Atualmente ocupa a 5ª posição entre os idiomas do mundo em número de falantes nativos, é oficial ou co-oficial em nove estados (e em territórios de outros dous) e em diversas organizações internacionais, entre elas a União Africana, a União Europeia e a Organização dos Estados Americanos... e o seu ensino é obrigatório em países como Argentina, Congo, Uruguai, Venezuela, Zâmbia... Por outro lado, 2011 será o ano da aplicação nas escolas portuguesas do Acordo Ortográfico que unifica internacionalmente a nossa língua.

Enfim, 2011 um ano prometedor para a língua que esmorece na Galiza.

PS: Francisco Fernandes del Riego (Vila Nova de Lourençã 1913-Vigo 2010), ex-presidente da Real Academia Galega (1997-2001), descanse em paz.

 

Comentaris: 3
  • Doncs que bé
    Francesc Vila i Pol | dimarts, 4 de gener de 2011 | 10:08h
    Doncs que bé! El gallec-portugués creix "nos cinco países africanos de língua oficial portuguesa, onde o nosso
    idioma se torna colonizador e prossegue a sua expansão à custa das
    línguas próprias desses territórios". I això és "prometedor". Deu n'hi do!
    • Ironias
      João Aveledo | diumenge, 16 de gener de 2011 | 23:16h
      É claro que as ironias são sempre perigosas...

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