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joão aveledo (G-P) Vemo-nos obrigados a falar neste Llengues Vives, mais uma vez, de um tal Benigno López, não por acaso Valedor do Povo (nome com que as instituições autoanémicas deste recanto peninsular batizaram o Provedor de Justiça). No dia 5 de novembro a Associaçom Galega da Língua (AGAL) realizou um ato institucional no Museu do Povo para comemorar os seus trinta anos de vida. No evento estiveram representados partidos políticos (BNG, NÓS-UP, Partido dos Trabalhadores do Brasil e Partido da Terra), sindicatos (CIG e CNT), centros sociais e diferentes entidades e instituições como A Mesa, o Instituto Cultural Brasil-Galiza, o projeto jornalístico Sermos Galiza e a Academia Galega da Língua Portuguesa, entre outras. Semente vai ser o primeiro centro educativo que praticará a imersão línguística na Galiza. Para além do monolinguismo, na Semente optam também polo reintegracionismo, visando o galego como língua internacional. Confirmados os piores prognósticos. No dia 28 de junho, uma data simbólica, aniversário do primeiro estatuto de autonomia e do retorno dos restos de Castelão à Galiza, desaparecia “Galicia Hoxe”, o único diário galego escrito integralmente na nossa língua (ainda que em normativa castelhanizante). Em 1970, já nos últimos estertores da ditadura franquista, foi aprovada a Lei Geral de Educação, que previa a introdução das “línguas regionais” no ensino. Foi nessa conjuntura que Constantino García, catedrático de filologia românica da Universidade de Santiago de Compostela, promoveu a criação, na primavera de 1971, do Instituto de la Lengua Gallega. Com o apoio da Academia Galega da Língua Portuguesa e de outras treze instituições culturais da Galiza, de Portugal e do Brasil está-se a comemorar o centenário do nascimento do escritor e investigador Ernesto Guerra da Cal (Ferrol, 1911 – Lisboa, 1994). Guerra da Cal é, paradoxalmente, um dos vultos da cultura galega mais conhecidos internacionalmente e menos conhecidos no seu próprio país. As duas razões que explicam este silenciamento (melhor seria falarmos em censura) são o seu reintegracionismo e o seu independentismo. A Universidade Aberta (UAb) e a Câmara Municipal de Rianjo assinaram no passado dia 24 de janeiro um acordo para a instalação de um Centro Local de Aprendizagem, o primeiro que esta universidade vai ter no estrangeiro. O Centro abrirá as suas portas em breve no Auditório Municipal e estará dotado de diversas dependências como sala de exames, sala de computadores, gabinete do coordenador e biblioteca. Eeeeei!!!? Uma expressão de incredulidade acompanhará a maioria dos que leiam isto e muitos se perguntarão se estamos no 1º de abril“quando os burros vão onde não têm que ir”, o tradicional Dia dos Enganos (versão galega do espanhol 28º de dezembro). Prometedor 2011? Mas como é possível, se o galego (ou português da Galiza) continua a perder falantes de forma acelerada, se está a quebrar a sua transmissão intergeracional, se a sua qualidade, consequência da hibridação com o castelhano, diminui até fazê-la irreconhecível (provavelmente, um falante espontâneo médio da Galiza franquista teria menos dificuldades de intercompreensão com um outro lusófono do que um falante “consciente” médio da Galiza autonómica), se o ensino e os meios de comunicação continuam o seu eficaz lavor nacionalizador (espanhol, claro!), se conta com a hostilidade manifesta (quase explícita) dos governos autonómicos galego, asturiano e castelhano-leonês, se está a ser dividida artificialmente polas fronteiras administrativas do Minho e do Eu, se... Coincidindo com o centésimo aniversário do nascimento de Ricardo Carvalho Calero multiplicam-se por todo o país as homenagens ao que foi primeiro catedrático de galego-português da Universidade de Santiago de Compostela. As eleições brasileiras são destaques nos telejornais e nas capas dos principais periódicos de todo o mundo. Não surpreende. O Brasil está na moda. O milagre económico dos últimos anos tem convertido este gigante na oitava potência mundial e no segundo melhor lugar para se investir, ficando atrás apenas da China. Com mais de oito milhões de quilômetros quadrados de área, equivalente a quase a metade do território sul-americano, e com cerca de douscentos milhões de habitantes, o país possui a quinta maior área territorial do planeta e o quinto maior contingente populacional do mundo, o que lhe confere um elevado potencial de futuro. |
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